A PRIMEIRA TURNÊ DO BLACK SABBATH COM RONNIE JAMES DIO NOS VOCAIS

Em abril de 1979, Ozzy Osbourne foi demitido do Black Sabbath. Tony Iommi explica a decisão com detalhes em seu livro Iron Man: My Journey through Heaven and Hell with Black Sabbath (leia abaixo).

“Estávamos juntos fazia uma década, mas chegou a um ponto onde não conseguíamos mais nos relacionar uns com os outros. Havia tanta droga rolando, cocaína e Quaaludes e Mandrax, e havia bebida e longas noites e mulheres e tudo mais. E daí você fica mais paranoico e pensa, eles me odeiam. Nunca brigamos, mas é difícil se comunicar com as pessoas, se relacionar e resolver as coisas quando todo mundo está louco”.

O desgaste entre Ozzy e os demais integrantes da banda havia começado pelo menos dois anos antes. Em 1977, o vocalista chegou a ser afastado do grupo e substituído por Dave Walker (Fleetwood Mac, Savoy Brown), mas essa formação não durou muito (Iommi reconheceu que o estilo de Walker não tinha muito a ver com o Black Sabbath e convidou Ozzy de volta).

Na foto, uma das formações menos lembradas do Black Sabbath, com Geezer Butler, Tony Iommi, Dave Walker e Bill Ward.

Abaixo, uma versão de “Junior’s Eyes” gravada ao vivo no programa Look! Hear! (BBC) em 1978, com Dave Walker nos vocais. No mesmo ano, a faixa seria lançada no álbum Never Say Die! (já com Ozzy Osbourne de volta à banda).



Tony Iommi e Ronnie James Dio se conheceram em 1979 no Rainbow Bar and Grill, em Los Angeles, justamente quando o cantor procurava se reafirmar na cena através de algum novo projeto.

Entretanto, a sugestão para que Dio assumisse o posto de vocalista do Black Sabbath partiu de Sharon Arden, filha de Don Arden, empresário da banda na época (alguns anos mais tarde, Sharon se casaria com Ozzy Osbourne e assumiria a gestão da carreira solo do Madman).

Dio era conhecido por ter integrado as bandas Elf e, principalmente, o Rainbow (projeto pós-Deep Purple do guitarrista Ritchie Blackmore).

Na foto, Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore, líder do Rainbow.

Apesar da insistência de Don Arden para que o grupo readmitisse Ozzy, Ronnie James Dio seria oficialmente contratado em junho de 1979. Cinco meses depois, Geezer Butler deixa a banda para resolver assuntos familiares. Craig Gruber (ex-companheiro de Dio no Elf) então é convocado para ser o novo baixista, mas logo seria substituído pelo lendário Geoff Nicholls (World Of Ozz, Quartz).

“Geezer Butler retornou para comandar as quatro cordas do baixo, no lugar de Geoff Nicholls, que passou a tocar teclado. Entre os baixistas, há uma grande admiração ao Geezer pela criação das linhas de baixo do álbum ‘Heaven And Hell’, que são geniais. Mas o que quase ninguém sabe, é que foi Geoff Nicholls quem criou as linhas de baixo do álbum, quando ainda atuava como o homem das quatro cordas. A única exceção é a música “Neon Knights”, que pode ser creditada seguramente a Geezer.” - trecho do artigo O membro obscuro do Sabbath.

Na foto, Geoff Nicholls, colaborador de todas as gravações feitas pelo Black Sabbath entre 1980 e 2004.

Reza a lenda que, além de Craig e Nicholls, Dio também teria feito algumas demos como baixista e vocalista do novo LP do Black Sabbath (como acontecia nos tempos de Elf).

Abaixo, uma foto rara de Ronnie James Dio empunhando um contrabaixo.

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Os 44 anos do álbum de estreia do Black Sabbath

Muita gente não imaginava, mas na sexta-feira 13 de fevereiro de 1970 o mundo conheceria o primeiro álbum genuinamente Heavy Metal da história: Black Sabbath, do Black Sabbath. A banda, formada por Tony Iommi, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Bill Ward costumava tocar Blues até que Ozzy e Butler conheceram o filme do diretor Mario Bava lançado em 1963. A partir daí, tudo mudou: o som, o nome (de Earth para Black Sabbath) e a sonoridade que revolucionaria o mundo da música nas décadas seguintes. A produção do álbum custou £1200 e foi concluída em apenas um dia, com todos os integrantes tocando ao vivo no estúdio. Logo, através das 7 faixas que compunham o tracklist (incluindo uma versão da banda Crow em “Evil Woman”, também o primeiro single do Black Sabbath), estava inaugurado o Heavy Metal como o conhecemos hoje (graças aos riffs do mestre Tony Iommi e as letras de Geezer Butler).

De lá pra cá, não existiu uma banda de rock pesado que não tenha reverenciado o legado do Black Sabbath. Prova disso são os milhares de tributos e declarações feitas em homenagem ao grupo.

Para finalizar, vamos ao que interessa: a música. Enjoy.



1. “Black Sabbath” 0:00
2. “The Wizard” 6:24
3. “Behind the Wall of Sleep” 10:45
4. “N.I.B.” 14:25
5. “Evil Woman” 20:33
6. “Sleeping Village” 23:47
7. “Warning” 27:31
8. “Wicked World” 38:05 *

* faixa bônus da primeira edição em CD

Em estúdio com Brad Wilk

Brad Wilk ganhou um capítulo próprio na série de vídeos sobre os bastidores de 13, o novo álbum do Black Sabbath.

Após a recusa de Bill Ward, dono das baquetas originais da banda, Brad se juntou a Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler para cuidar das sessões de bateria do disco. Para a turnê, os integrantes originais do lendário grupo mantiveram Tommy Clufetos como músico de apoio (algo que vem acontecendo desde 2012, é bom frisar).

13 foi lançado no início da semana, e ganhou nota 5 aqui no Degenerando Neurônios. Na sequência, o vídeo In The Studio with Brad Wilk.

Black Sabbath - 13

Simplificando a questão do álbum 13 e a reunião do Black Sabbath.

O que achou do novo álbum do Black Sabbath?
- Vamos por partes. A primeira música (“End of the Beginning) é legalzinha, mas não parece Black Sabbath, e sim Ozzy Osbourne solo.

Isso é ruim?
- Pelo contrário. Não é qualquer um que pode se gabar de ter Geezer Butler e Tony Iommi como músicos de apoio.

E a bateria?
- Nada de mais. Bill Ward não faria diferente.

Reparou que o riff de guitarra só entra depois de dois minutos e meio?
- É uma boa tática arrastar a música durante um certo tempo e ressurgir com um riff daqueles. Mas não sei se daria certo repetir esse método.

Mas “God Is Dead?” não segue o mesmo caminho?
- Sim, e fica ainda pior, já que a guitarreira só começa depois de seis minutos. Tony Iommi anda bastante preguiçoso. Pelo menos o contrabaixo de Geezer Butler está bem representado na mixagem.

Gostou de “Loner”?
- Sim, é uma das melhores do disco.

Dizem que “Zeitgeist” parece uma continuação de “Planet Caravan” (1971). É isso mesmo?
- Sim. É a “The Unforgiven” do Black Sabbath, que merecia uma continuação.

E a bateria que introduz “Age of Reason”?
- Fraquíssima. Nessa música você entende porque Brad Wilk não é o baterista ideal para segurar as pontas entre Iommi e Butler. Mas o verdadeiro culpado disso se chama Rick Rubin e sua produção pra lá de datada. E a guitarra montanha-russa de “Live Forever”?
- É a melhor faixa do disco. O único ponto fraco são os vocais de Ozzy Osbourne. Definitivamente ele não aguenta mais acompanhar Tony Iommi e Geezer Butler. Uma pena.

Achou “Damaged Soul” muito lenta?
- Sim, mas é isso o que salva a canção. Ozzy Osbourne já era, não aguenta mais cantar em ritmo de “Paranoid”.

E a última, “Dear Father”?
- O pior take gravado por Ozzy Osbourne em todo o LP. As guitarras estão em alto e bom som mas pelo menos aqui o mesmo não acontece com o baixo. A bateria serve apenas para marcar o ritmo.

Como fã de Black Sababath, 13 é um bom álbum?
- Sim, mas é preciso manter as críticas. As pessoas que idolatram 13 como “o disco do ano” estão presas aos anos 1970, não pensam no presente.

De um a dez?
Nota 5.

13 by Raul Ramone on Grooveshark

O que a Metal Hammer achou de 13, o novo álbum do Black Sabbath

image Algumas revistas especializadas em música foram convidadas a fazer uma primeira audição de 13, o novo álbum do Black Sabbath, com Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Brad Wilk (Rage Against The Machine) na formação. De todas as resenhas até o momento, a que mais chamou atenção foi a do jornalista Geoff Barton, da Metal Hammer. image Abaixo, a íntegra do texto.

O heavy metal passou por incalculáveis mudanças desde 1978, quando o Black Sabbath lançou o seu último álbum de estúdio com Ozzy Osbourne nos vocais. Intitulado Never Say Die!, esse que vos escreve esteve presente às sessões de mixagem. As fitas eram reproduzidas a um volume tão terrivelmente alto que Ozzy foi forçado a deixar a sala - e naquela ocasião aquilo soava como a melhor coisa que eles já tinham feito. Essa opinião veio abaixo quando o álbum foi lançado, mas isso é outra história…

O Sabbath pode ser o pai fundador do metal, mas não havia como eles terem previsto como a cena se desenvolveria - melhor dizer “passaria por mutações” - ao longo das décadas. Dada a intensidade da cena moderna, a decisão de se reunir com três quartos de sua formação clássica é, no máximo, ambiciosa, e, no mínimo, mal orientada.

Ouvindo as duas primeiras faixas de 13, fica claro que a herança pesa muito na cabeça deles. “The End of the Beginning” é uma abertura curiosamente modesta, com o verso “rewind the future of the past” destacando a dificuldade que o Sabbath encara ao tentar recapturar as glórias antigas. A seguir, “God is Dead?” faz o seu melhor para replicar a devastação de outrora, mas, de algum modo, soa como um xerox ruim.

E daí então algo - sabe lá Deus o que (poderia ter sido o momento em que Ozzy voltou a enfiar o pé na jaca) - acontece. “Loner” chega e traz o primeiro e legítimo arrepio na espinha. É repleta de uma levada ameaçadora. Tem aquele groove arquétipo, e até Ozzy vociferando “alright now!” como ele fizera em “Sweet Leaf”, em 1971. PQP! E melhora. “Zeitgeist”, uma derivada sonora de “Planet Caravan”, fornece uma deliciosa mudança de ritmo antes de “Age of Reason” enfiar um machado em sua bunda. Tony Iommi arregaça com um solo de clima sinuoso e ameaçador, e o baixo de Geezer Butler vibrando como o começo de um terremoto.

“Live Forever” mantém a intensidade, e, em seguida, “Damaged Souls” ergue a barra. Essa é uma faixa de destaque em 13: uma dose generosa e letal de blues doom que soa como se tivesse sido gravada à meia-noite em uma garagem de Solihull depois de um dia no matadouro. Ozzy entra sozinho, soprando a gaita e invocando sabbathismos clássicos; “dying is easy, it’s living that’s hard” e “I’m losing the battle between Satan and God, the cataract of darkness forms fully, the long black night begins …”

O título piegas de “Dear Father” disfarça seu conto de vingança contra um pai abusivo. A entorpecida “Methademic” tem raízes em “Snowblind”, de Vol 4, enquanto “Peace of Mind” é ilustrada pelo lado ator de Ozzy, o que resulta em um belo efeito. E se você ouvir atenciosamente “Pariah”, poderá ouvir as falanges plásticas de Iommi roçando nas cordas. Pode não ser perfeito, mas é um elemento com assinatura do som do Sabbath.

Cagadas? Não tem Bill Ward. O baterista substituto, Brad Wilk, é meio firuleiro e não tem aquele feeling. Do mesmo modo que Rick Rubin não é nenhum Rodger Bain: a produção poderia ser muito mais primitiva. E, com uma duração de quase 70 minutos na edição de luxo, o álbum é longo demais.

Ainda assim, esse retorno é melhor do que qualquer um poderia esperar.

Uma certa banda paródia pode ter amplificadores que vão até o 11, mas os do Sabbath vão até 13. image Fonte/Tradução: Playa Del Nacho

O MISTÉRIO DOS VOCAIS EM “SOLITUDE” E “PLANET CARAVAN”, FAIXAS DO BLACK SABBATH

image Existem várias lendas em torno de “Solitude” e “Planet Caravan”, duas belíssimas baladas do Black Sabbath. Mas vamos aos fatos:

A primeira foi lançada em 1971, no álbum Master of Reality. Muitos atribuem seus vocais suaves ao baterista Bill Ward, mas isso não passa de um equívoco. Ward só assumiria os vocais do Black Sabbath em “It’s Alright”, faixa do álbum Technical Ecstasy, de 1976.



Em “Solitude”, Ozzy Osbourne se revelaria um grande cantor ao diminuir o tom e acompanhar os arranjos acústicos de Tony Iommi. Também foi nessa faixa que, pela primeira vez, o guitarrista tocou flauta em uma gravação (inspirado em sua curta passagem pelo Jethro Tull no final da década de 1960).

A versão demo de “Solitude” comprova isso:

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Já em “Planet Caravan”, lançada um ano antes no álbum Paranoid, Ozzy usa a mesma técnica vocal, recorrendo apenas a um alto falante Leslie para criar os efeitos de vibrato. Abaixo, uma raríssima versão demo da faixa.

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Ozzy Osbourne nunca mais cantaria tão baixo quanto em “Solitude” e “Planet Caravan” (posso estar enganado). Isso faz com que as duas canções se tornem especiais dentro da discografia do Black Sabbath e do próprio Ozzy Osbourne.

image Em 2013, Tony Iommi, Geezer Butler e Ozzy Osbourne voltam a gravar um disco juntos (com Brad Wilk na bateria). Entre as faixas de 13, temos aquele que talvez seja o capítulo final das primeiras baladas da banda.

O tom de vez não mais o mesmo, é verdade, mas os arranjos de “Zeitgeist” imediatamente remetem a “Solitude” e, principalmente, “Planet Caravan”.



Para finalizar, um vídeo que conta a história de “Planet Caravan”.


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Happy Birthday: Tony Iommi

O verdadeiro pai do Heavy Metal completa 65 anos nessa terça-feira, 19 de setembro de 2013. Happy birthday, velhinho.