QUANDO PHIL COLLINS SE JUNTOU AO GENESIS

Dois de setembro de 1970. Após perder 3 bateristas, uma desconhecida banda de art rock inglesa chamada Genesis coloca um anúncio no Melody Maker, recrutando músicos “determinados a se esforçarem além das estagnadas formas de música existentes”.

Um garoto com 19 anos de idade responde à proposta e se apresenta para uma audição na casa dos pais de Peter Gabriel, vocalista do grupo. Como chegou muito cedo, o jovem candidato precisou esperar, e tomou a liberdade de dar um mergulho na piscina e analisar as obras de arte espalhadas pela residência.

Quando chegou sua vez, o baterista (ex-integrante do Flaming Youth) menciona a participação nas percussões do álbum All Things Must Pass, do ex-beatle George Harrison, que seria lançado em novembro daquele mesmo ano. Com essa pequena vantagem sobre os outros 14 concorrentes, Phil Collins não só acompanhou os músicos como cantou em duas faixas durante o teste. Foram elas: “For Absent Friends” (do álbum Nursery Cryme) e “More Fool Me” (de Selling England by the Pound).

Além de Phil Collins (substituto de John Mayhew, que gravou apenas um disco com a banda), os integrantes também escolheram Steve Hackett como novo guitarrista (no lugar de Anthony Phillips).

Nursery Cryme, o primeiro álbum com a nova formação seria lançado em 1971, contando com Peter Gabriel (vocais, flautas), Steve Hackett (guitarras, violões de 6 e 12 cordas), Tony Banks (piano, órgão, mellotron, violão de 12 cordas, backing vocals), Mike Rutherford (contrabaixo, violão de 12 cordas, vocais de apoio) e Phil Collins (bateria, percussão, vocais).

O resto é história. Peter Gabriel deixa o grupo em 1975, Phill Collins assume os vocais e transforma o Genesis em uma verdadeira máquina de hits, sempre impulsionado por sua bem sucedida carreira solo. Em 1977, seria a vez de Steve Hackett deixar o barco e se dedicar ao trabalho solitário.

Atualmente, os integrantes da formação clássica (Gabriel, Hackett, Banks, Rutherford e Collins) trabalham juntos na produção de um documentário produzido pela BBC sobre a história do grupo. Uma nova compilação intitulada R-Kive também foi anunciada para setembro de 2014.

Abaixo, todos os álbuns lançados entre 1971 e 1975. Enjoy.

Nursery Cryme (1971)



Foxtrot (1972)



Selling England By The Pound (1973)



The Lamb Lies Down on Broadway (1974)


O IMPACTO DA ALLMAN BROTHERS BAND NO FILLMORE EAST DE NOVA IORQUE

Alan Arkush: A gente não sabia nada dos Allman Brothers. Só que iam abrir pro Blood, Sweet and Tears no fim de dezembro de 1969. Ninguém tinha ouvido falar deles. O álbum ainda não tinha sido lançado. Mas a capa do disco já estava no lobby do Fillmore East. Era uma foto de uns caras de pé, pelados num riacho, e a gente pensava: “Que bando de caipiras malucos”. O típico cinismo nova-iorquino. E, para piorar, eles se atrasaram para a passagem de som. Um pecado mortal. A gente esperou e esperou. Ninguém sabia que eles estavam vindo da Georgia pela estrada. Aí uma van parou e eles saíram carregando amplificadores. Devia ser a primeira vez deles em Nova Iorque. Uns caipiras com uns amplificadores Marshall todos ferrados, horroroso. A gente pensava: “Esses caras vão ser uma coisa de louco. Tomara que eles não fiquem pelados”. John Noonam perguntou: “Vocês vão ficar de roupa no show de hoje?”.
Eles começaram a tocar “You Don’t Love Me” e “One Way Out” na passagem de som e as pessoas saíram dos escritórios. Todo mundo parou de trabalhar e ficou lá, de pé, falando: “Uau. Esses caras são mesmo de verdade”. Eles tocaram quatro sets de quarenta e cinco minutos naquele fim de semana, e a gente sempre queria mais. Achamos eles fabulosos.

Alan Arkush: A vez seguinte em que eles apareceram no Fillmore East foi em setembro. Tocaram com Van Morrison e os Byrds para um show de TV que a WNET fez para a PBS. A essa altura, Idlewild South já tinha sido lançado. E aí voltaram mais uma vez em março de 1971 para gravar o álbum ao vivo. (…) Lembro que eu fui para o camarim e havia grandes jarras de vinho e um envelope cheio de tabletes de mescalina, presente deles, e um bilhete que dizia: “Aqui está, vamos ter uma boa noite”. É o álbum Live at Fillmore East, que tem “Eat a Peach”. Foram tão bons que fizeram o primeiro show como se fosse o último show de sexta. Johnny Winter inverteu a ordem. Disse que precisava pegar um avião. Mas, na verdade, ele não ia conseguir superar os caras.
Os shows de sábado, tanto no primeiro quanto no segundo, talvez tenham sido os melhores shows dos Allman Brothers que eu vi. E também uma das melhores apresentações ao vivo que já vi na vida.

Bill Graham: A banda já tinha se apresentado para mim como banda de abertura nos Fillmores. Na época em que ainda eram Hourglass. Quando o Dead e os Allman Brothers tocaram juntos no Fillmore East, foi o fino do rock. Lembro que os Allman Brothers entraram no palco à uma e meia ou duas da manhã para tocar o segundo set. Acabaram lá pelas quatro da manhã e a plateia foi ótima. Eles tocaram o bis, Duane e Gregg saíram do palco e falaram: “Nossa, Bill, a gente sempre se atrasa”.
E eu: “Se quiserem tocar, podem tocar”.
Eles voltaram para o palco. Eu falei para Michael Ahearn: “Coloque as luzes bem suaves, ligue o globo de espelhos devagar. As luzes do palco devem ficar no nível do chão, sem alteração”. Eles fizeram isso e apareceram estrelinhas de luz em todo canto quando a banda começou a tocar. Cada música tinha uns quarenta minutos de duração. Eu estava sentado cochilando nos bastidores e o show não parava, ninguém ia embora. Dickey Betts, Duanne e Gregg fizeram grandes riffs e não pararam de tocar.
Eles terminaram o show e a plateia aplaudiu efusivamente. Como se tivessem acabado de fazer uma excelente refeição. Alguém abriu a porta lateral da casa e a luz do dia começou a entrar.

Allan Arkush: Tinha nevado e o chão estava coberto. Ficamos lá tanto tempo que dava pra ver os feixes de luz entrando pelas portas abertas, por causa da fumaça que enchia o lugar.

Bill Graham: Eu olhei para o relógio e eram sete e cinco. Duane virou, olhou para mim e disse: “Ei, Bill… É como sair da igreja, não é?”.

- Trecho do livro Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock, de Bill Graham e Robert Greenfield.



[0:00:00] Statesboro Blues
[0:04:17] Trouble No More
[0:08:02] Don’t Keep Me Wonderin’
[0:11:29] Done Somebody Wrong
[0:16:02] Stormy Monday
[0:24:52] One Way Out
[0:29:50] In Memory of Elizabeth Reed
[0:42:57] You Don’t Love Me
[1:02:16] Midnight Rider
[1:05:11] Hot ‘Lanta
[1:10:33] Whipping Post
[1:33:30] Mountain Jam
[2:07:08] Drunken Hearted Boy





1. Statesboro Blues: 0:00
2. Trouble No More: 4:28
3. Don’t Keep Me Wondering: 8:18
4. In Memory of Elizabeth Reed: 11:37
5. Dreams: 23:52
6. You Don’t Love Me: 35:58
7. Whipping Post: 53:42



1. Statesboro Blues: 0:00
2. Trouble No More: 4:28
3. Don’t Keep Me Wondering: 8:18
4. In Memory of Elizabeth Reed: 11:37
5. Dreams: 23:52
6. You Don’t Love Me: 35:58
7. Whipping Post: 53:42

JULIAN CASABLANCAS + THE VOIDZ - HUMAN SADNESS

1. Não lembra em nada The Strokes,
2. É o mais experimental que algum integrante do Strokes conseguirá fazer em suas respectivas carreiras solos,
3. Não lembra absolutamente nada a outra banda de Julian Casablancas (The Strokes),
4. Talvez seja apenas um bom single perdido em um péssimo álbum, mas os 11 minutos mostram ousadia em tentar o novo,
5. Não lembra em nada The Strokes (principalmente os últimos álbuns do grupo, que mostravam a banda cada vez mais ladeira abaixo).



Tyranny, o novo álbum solo de Julian Casablancas + The Voidz sai no dia 23 de setembro pela Cult Records.

Tracklist:

01. Take Me In Your Army
02. Crunch Punch
03. M.utually A.ssured D.estruction
04. Human Sadness
05. Where No Eagles Fly
06. Father Electricity
07. Johan Von Bronx
08. Business Dog
09. Xerox
10. Dare I Care
11. Nintendo Blood
12. Off To War…

O APOLLO DO HOMEM BRANCO

Alan Arkush: Jimi Hendrix estava tocando com a Band of Gypsies nessa época e estava se preparando para o show de ano-novo no Fillmore East. Deixaram ele ensaiar de tarde durante todos os shows de natal, então eu ficava vendo a banda tocar o dia inteiro, todos os grandes blues. No dia de ano-novo, um cara veio até a entrada do palco e falou: “Tenho uma encomenda para o Jimi”. Todo mundo sabia a regra: ninguém podia ir até os bastidores para falar com o Jimi. Ou seja, ninguém podia dar nada para ele. Mas esse cara ficou insistindo, implorando. Então eu falei: “Bom, não posso deixar você entrar no camarim. Mas eu posso dar a encomenda para ele, se você quiser”. O cara ficou paranoico. Falou: “Olha, cara. É um negócio de muito valor. Quero mesmo que o Jimi receba”.
E me mostrou uma caixa de madeira muito bonita, toda trabalhada. Então eu disse: “Eu levo pra ele”.
E o cara: “Depois me conte o que ele falou. Me diz se ele gostou da caixa”.
E eu: “Tudo bem”.
Levei para o camarim, Jimi abriu a caixa, e ela estava cheia de cocaína. O negócio brilhava. Jimi cheirou um pouco e passou para o resto do pessoal, e acho que foi a primeira vez na vida que eu experimentei pó. Foi muito forte. Jimi falou “Agradeça o cara. Agradeça o cara”. Voltei lá, mas ele já tinha ido embora. Desapareceu.
Jimi tocou no primeiro show e no segundo, e as pessoas gritava para ele fazer um bis, então ele voltou e tocou o bis. As pessoas vibraram, ele tocou mais um bis e mesmo assim a plateia não ia embora. Ele tinha feito um show enorme.
E aí o Bill ou Kip falou para mim: “Você precisa ir lá e falar para o Jimi voltar”.
Então subi correndo as escadas, passei por três pessoas que guardavam a porta e falei: “Jimi! Jimi!”. Você precisa descer e tocar mais uma música!”.
Ele olhou para mim e disse “A gente não tem mais nada para tocar. Não ensaiamos mais nenhuma”.
E aí o Jimi se virou para Buddy Miles e disse: “Buddy, você sabe a letra de ‘Purple Haze’?”. E aí eles ensaiaram “Purple Haze” bem ali. Ele mostrou as mudanças de acordes para o Buddy, eles desceram e tocaram “Purple Haze”.
Como se fossem uma banda de garagem qualquer. Bem assim: “Ei, vocês conhecem “Purple Haze”?.
Aí eu olhei e vi que a caixa estava vazia. E lembro que lá dentro havia muita cocaína. Muita mesmo.

- Trecho do livro Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock, de Bill Graham e Robert Greenfield.

Abaixo, duas gravações extraídas de algum bootleg feito a partir dos shows.



ROBERT PLANT & SENSATIONAL SPACE SHIFTERS BAND - LULLABY AND… THE CEASELESS ROAR (ÁUDIO COMPLETO DO ÁLBUM)

"Nós conseguimos criar sons monstruosos, lindos e panorâmicos. Na medida em que começamos a compor o disco, eu tinha um panorama incrível sobre aonde colocar um bom vocal e uma boa história. Sempre fui um cantor guiado pela irmandade. Sou muito sortudo por trabalhar com a Sensational Space Shifters. Eles vêm de áreas excitantes da música contemporânea. Perguntei a mim mesmo: ‘Tenho algo a dizer? Ainda tem uma música dentro de mim? No meu coração?’ Vejo a vida e o que está acontecendo comigo. Ao longo do caminho estão as expectativas, despontamentos, alegrias e fortes relacionamentos. Agora, consigo expressar meus sentimentos com melodia, poder e transe, juntos, como um caleidoscópio de som, cor e amizade." - Robert Plant.

O lançamento do décimo álbum solo do ex-vocalista do Led Zeppelin (gravado ao lado da Sensational Space Shifters Band) acontece no dia 9 de setembro. Mas, graças à Rolling Stone Brasil, já podemos ouvir a íntegra de Lullaby and… The Ceaseless Roar. Enjoy.

O NOVO RECORDE DE KATE BUSH

Após o início da Before The Dawn tour (com 22 shows agendados no Hammersmith Apollo, em Londres), Kate Bush se tornou a primeira mulher a manter 8 álbuns simultaneamente nas paradas de sucesso britânicas. É simplesmente a discografia completa da musicista (mais a coletânea The Whole Story), que volta aos palcos 35 anos depois de sua primeira excursão.

#6 The Whole Story (1986, compilação)
#9 Hounds of Love (1985)
#20 50 Words for Snow (2011)
#24 The Kick Inside (1978)
#26 The Sensual World (1989)
#37 The Dreaming (1982)
#38 Never For Ever (1980)
#40 Lionheart (1978)
#43 Aerial (2005)
#44 Director’s Cut (2011)
#49 The Red Shoes (1993)

O recorde absoluto com o maior número de álbuns nas paradas pertence a Elvis Presley, que emplacou 12 LPs após a sua morte em 1977. Na sequência, os 11 LPs remasterizados dos Beatles, lançados em 2009. Kate Bush entre os grandes de novo.









KANYE WEST LIVE @ AMERICA MUSIC FESTIVAL (30/08/2014)

O rapper mais autoconfiante de todos os tempos foi um dos headliners do America Music Festival e, polêmicas à parte, proporcionou um grande show, como sempre.